1998.
Leilane,nervosa, desceu as escadas e foi esconder-se atrás de seu carro para analisar os alunos que estavam tirando foto.
Era incrível e ao mesmo tempo assustador estar vendo aquilo acontecer,ver todos seus amigos pequenos e principalmente,ver a si própria 11 anos atrás.
Viu a professora chamar os alunos e fazê-los formar duas filas, uma de meninos e outras de meninas.
As crianças começaram a caminhar e Leilane espiou enquanto todas elas passavam, reconhecendo cada um daqueles rostos, que eram seus amigos de infância....
Otávio, Daniel...Allan,Nelson,Patrick...Carlos...
Rahyssa,Ana Paula....Natália, Ana Luiza... Iami... e ela mesma.
Quase morreu de felicidade de ver a si mesma, estava com uma travessa vermelha que sua mãe a dera e que havia simplesmente sumido um dia. Sentiu uma vontade enorme de fotografar-se, mas infelizmente não estava com sua camera fotográfica naquele momento. Além disso,não podia denunciar onde estava, pois estava com o uniforme de uma outra escola dentro da propriedade do colégio, embora ninguém naquele tempo reconhecesse aquele uniforme, pois ele teoricamente ainda não existia.
Leilane acompanhou com o olhar as crianças caminharem para dentro da escola,mas antes de chegarem no portão preto,por onde deveriam ir, houve uma gritaria e todas as crianças saíram correndo para dentro da escola, desesperadas.
A professora também saiu correndo,mas essa porque tinha que acompanhar seus estudantes.
Leilane saiu apressada de seu esconderijo para ver qual havia sido o motivo da gritaria, ela não conseguia lembrar.
Foi andando, e no caminho encontrou sua antiga travessa vermelha, que ela havia, na hora do desespero deixado cair, juntou-a. Foi até onde as crianças haviam começado a gritar e avistou, ao lado da escada grande, um pombo morto. E olhando para ele estava Daniel, só que na sua versão do passado, uma criança.
Ela ia gritar para Daniel se afastar,pois ele estava bastante próximo do pombo morto, mas então ele tocou no pombo, que instantaneamente se bateu no chão e quando conseguiu,saiu voando.
Daniel virou-se para ela, e levou um susto,pois não sabia que ela estava lá, e somente arregalou os olhos e saiu correndo. Leilane ficou boquiaberta, sem acreditar no que havia acabado de ver. Quando achava que não podia mais se surpreender, acontecia aquilo...
Numa piscada de olhos e ela não estava mais lá, estava no mesmo lugar que estava antes. Perguntou-se se aquilo não havia sido um sonho, mas uma voz interrompeu seus pensamentos.
— Leilane! - disse Alana - Onde você esteve hoje o dia todo? - e sem esperar resposta,continuou - Você perdeu o trabalho de química do Joáurio...
— Ah...quais aulas ainda faltam? - perguntou Leilane, confusa.
— Nenhuma,acabaram as aulas de hoje. Você está bem,Leilane?
Leilane olhou para cima de sua mesa e viu a foto do momento que ela havia acabado de presenciar, e então notou que em sua mão havia a travessa que ela havia há anos,perdido.
— Estou,estou ótima. - falou Leilane levantando-se - Eu só preciso ir atrás de uma pessoa. - falou ela guardando tudo em sua mochila.
— Quem? - perguntou Alana.
— Daniel.
***
Lara saiu de sua sala apressada e foi em direção a sala que estudava Carlos. Precisava falar com ele e em seguida levar Daniel para a companhia,onde ele seria examinado e provavelmente liberado em, no máximo, algumas horas. Estava claro que o poder dele era inofensivo, assim como o daquela garota Greice, que por sinal também era amiga de Carlos, ambos pareciam inofensivos. Só precisavam ser interrogados e poderiam ser liberados.
Correu até a sala de Carlos e postou-se na frente da Daniel e Clarissa, que ela encontrou no caminho da sala.
— Oi. - sorriu ela. - O Carlos já desceu?
— Oi,Lara. - cumprimentaram os dois, e Daniel continuou. - Ele saiu mais cedo hoje.
— Quer dizer que ele gazetou. - explicou Clarissa.
— Ah,isso explica ele não ter aparecido no intervalo hoje... - falou Lara olhando para o lado.
Daniel deu um sorriso e continuou seu caminho,junto com Clarissa.
Lara suspirou, já que Carlos não estava lá, então teria que ligar para ele mais tarde para conversarem sobre seu poder. Ela virou-se para Daniel, que estava de costas. Já que não tinha Carlos, era precisava cumprir sua missão.
— Daniel?- chamou ela.
Daniel virou-se, ainda com o mesmo sorriso.
— Oi. - falou ele.
Lara caminhou na direção dele,tirou seus óculos verdes e olhou diretamente em seus olhos, e sorrindo disse:
— Tem um Corsa preto esperando na frente da escola, eu quero que você desça sem falar com mais ninguém e entre nele, e fique em silêncio até me encontrar novamente. Certo?
Os olhos de Daniel ficaram turvos e ele simplesmente virou-se e foi andando para a escada, como um robô.
— Daniel? - chamou Clarissa,que então virou-se para Lara. - O que foi que você fez?
Lara piscou, com um leve sorriso triste no rosto.
— Sinto muito, Clarissa. É o trabalho. Agora você vai descer as escadas e ir para sua casa e esquecer tudo que viu,tudo bem?
Os olhos de Clarissa também assumiram um estado estranho e ela virou-se para ir embora.
Lara puxou seu celular, fez uma ligação e esperou que atendessem.
— Crowd? - falou ela - O Daniel já está indo para o carro. Primeira parte da missão cumprida.
***
Leilane correu ao avistar Daniel descendo as escadas e logo atrás dele, Clarissa.
Estava no térreo quando finalmente alcançou-o.
— Daniel! - falou ela apertando o braço dele, mas ele sequer virou, continuou andando como se nada tivesse acontecido, mas ela continuou falando. - Escuta, Daniel, eu preciso saber... lembra desse dia dessa foto - ela puxou o album e mostrou a foto de todos eles crianças,ele não olhou, mas ela esfregou o album em sua cara, no entanto, ele não parou de andar. - Presta atenção em mim! - mas ele não olhava para ela.
Ele continuou seguindo em linha reta até a entrada da escola, onde ela o viu entrar em um carro preto que ela não fazia a mínima ideia de quem era, pois até onde sabia, Daniel voltava para casa de ônibus.
Ela virou-se e encontrou Clarissa, que também se movia estranho e disse:
— Clarissa, o que o Daniel tem?
Mas a amiga também lhe deixou sem resposta. Ótimo, ela tinha acabado de viajar no tempo, onde ninguém podia vê-la, mas agora, em seu tempo, todos a ignoravam.
Ela continuou na frente da escola, esperando seu pai chegar e então viu que Lara havia entrado no carro preto em que Daniel estava.
Lara e Daniel no mesmo carro?Havia alguma coisa muito estranha ali.
***
— Talvez nós não sejamos os únicos. - falou Fábio. - Talvez hajam outros como nós e...
— E aí nós fundaremos o Instituo Xavier brasileiro? Não brinca, Fábio. Nós precisamos de ajuda médica, alguém que possa tirar isso da gente.
Carlos e Fábio estavam ainda dentro do terreno abandonado, só que agora estavam sentados, estavam há horas conversando sobre suas novas habilidades, que Fábio chamava de poderes e Carlos de maldição.
— Eu não quero que tirem meu poder. - falou Fábio. - Agora eu sou rápido, como ninguém é. E não vejo porque você quer fazer isso, você pode destruir qualquer coisa agora, exceto eu,porque você não pode me tocar.
— Dispenso esse tipo de coisa.Hoje eu só o usei porque precisava sair da escola, e caso alguém da coordenação descubra que fui eu, eu tô ferrado. - falou Carlos.
— Eu tranquei o box por dentro, então vai demorar para eles descobrirem que tem uma nova passagem pra fora da escola. - falou Fábio.
O celular de Carlos repentinamente tocou, ele levantou-se e atendeu o celular.
— Oi, Leilane. - falou Carlos.
— Carlos. - falou Leilane. - Por acaso você sabe para onde a Lara e o Daniel poderiam estar indo?
Carlos hesitou. Lara e Daniel se conheciam, mas não eram nada além de colegas, Lara não sairia com Daniel assim...do nada.
— Não faço a menor idéia. - falou Carlos. - Por que?
— Porque...eu vi os dois entrando no mesmo carro, achei muito estranho.Ele e Clarissa estavam muito estranhos. De qualquer forma, estás em casa? - falou Leilane.
— Não. - respondeu Carlos. - Ainda tô no quarteirão da escola.
— Pode, então, por favor, vir até aqui na escola?Preciso falar com alguém...
— Tudo bem. - falou Carlos.- Eu estou indo. - desligou e virou-se para Fábio. - Leilane precisa falar comigo, você vem?
— Nope.- respondeu Fábio. - Tenho umas coisas para resolver.
— Hum. - falouCarlos desconfiado. - Para onde você vai?
Fábio sorriu diabólicamente e disse:
— Supermercados Yellow.
E no segundo seguinte ele havia desaparecido,deixando somente um rastro de poeira.
***
^^
Espero que tenham gostado!:D
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Um comentário:
Adooooro as coisas tão começando a ficar complicadas *-*
*waiting epi.10*
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