Daniel e Clarissa, no entanto, não estavam nem ligando para isso, a verdade é que eles estavam felizes porque finalmente, depois de meses, eles não precisavam ficar ligando para os lugares afastados que deviam se sentar,para acidentalmente não se tocarem.
Porque desde o dia anterior, os poderes de Daniel haviam aparentemente sumido, então ele podia tocar Clarissa tranquilamente, e agora, sempre que podia, entrelaçava sua mão na dela. Para compensar o tempo perdido.
No entanto, parecia que Clarissa ao saber que Daniel perdeu os poderes, começou a questionar-se sobre ele, e o que havia feito ele sumir. E era sobre isso que ela estava falando desde que chegara na escola.
— Seus poderes sumiram no mesmo dia que houve um eclipse, Daniel. - falou Clarissa num tom baixo para que Fábio,que estava desenhando, não ouvisse. - Isso tem que ter alguma relação.
— Isso faz alguma diferença agora? - perguntou Daniel, que não estava muito confortável com o assunto.
Ele não tinha certeza se agradecia pela ausência de seu poder, tinham os lados positivos(agora podia tocar Clarissa e não precisava preocupar-se em tocar coisas mortas acidentalmente), ele nunca gostara muito de seu poder, mas era como se fosse parte dele, e agora que estava sem poderes, não sentia-se totalmente...em si.
— É ótimo nós podermos nos tocar, Daniel, mas se você pensar bem, seu poder era algo muito útil, você poderia...ajudar a solucionar casos da polícia com ele,poderia tocar na vítima e saber quem a havia matado...essas coisas. - argumentou Clarissa. - Seria importante para você tê-lo de volta.
— Você sabe que isso é perigoso, se alguém souber do meu poder vão me trancar num laboratório e me usar de cobaia. - respondeu ele.
Clarissa já ia continuar a falar quando viu que Carlos havia sentado na cadeira próxima a eles e poderia estar escutando.
— Oi, Carlos. - cumprimentou Clarissa.
Carlos resmungou algo parecido com um "oi", mas não olhou para os dois, estava concentrado tirando seu material de sua mochila, e parecia estar estressado.
— O que aconteceu, Carlos? - perguntou Fábio.
Carlos ficou parado alguns segundos,pensando se falaria ou não para seus amigos que ele da noite para o dia havia se tornado uma aberração que produzia fogo e gelo. Mas então lembrou-se do que Lara havia, há pouco, lhe dito.
— Nada. Eu só não tô muito afim de ficar aqui na sala. - comentou Carlos.
— Então bora gazetar! - sugeriu Fábio.
Clarissa e Daniel reviraram os olhos, mas Carlos fixou seu olhar em Fábio.
— Sério? - perguntou Carlos.
— Carlos! - exclamaram Clarissa e Daniel, em tom de reprovação.
— Eu não tô muito legal hoje. - justificou ele. - Mesmo que eu fique aqui, não vai ser um dia produtivo.
— Então liga para a tua mãe e pede para voltar pra casa. - falou Clarissa. - Melhor que gazetar.
— Eu não tô passando mal, eu só não tô afim de ficar aqui, nem em casa, e se eu pedir para ser liberado,é pra lá que eu vou voltar.
Então Carlos voltou-se para Fábio.
— Como a gente faz para gazetar?
— Geralmente quando eu planejo gazetar aula, eu venho para a aula equipado com uma camisa extra,daí eu posso sair pela FACI(Faculdade Ideal, que é acoplado ao prédio do ensino médio) sem que o porteiro besta fale nada.
— Mas eu não trouxe uma camisa extra hoje. - falou Carlos.
— Nem eu. - falou Fábio voltando-se para seu desenho. - Acho que hoje não vai dar pra gente gazetar.
Carlos ficou em silêncio por alguns segundos, pensando em outras alternativas. E então virou-se para suas coisas e começou a guardá-las.
— O que foi, Carlos? - perguntou Daniel. - Vais embora mesmo assim?
— Eu acho que tem um jeito de sair do Ideal,sim. - falou Carlos guardando seu caderno na mochila e fechando o zíper.
— Como? - perguntou Fábio,visivelmente interessado.
Carlos lançou um olhar para a porta que havia acabado de fechar, o professor acabara de sair para trocar o pincel, então ele não tinha muito tempo.
— Tem uma outra saída que eu posso sair, contanto que ninguém me veja no caminho. - falou Carlos,já em pé. - Tchau,gente.
Os três ficaram observando ele começar a caminhar para fora da sala,meio surpresos por Carlos não ter comentado sobre essa outra saída da escola.
— Carlos!Espera! - falou Fábio jogando seu caderno na mochila e levantando.
— Você vai com ele?- perguntou Clarissa.
Fábio respondeu com um aceno de cabeça e saiu junto com Carlos para fora de sala.
— Agora até o Carlos gazeta, como se não bastasse as vezes que ele vai assistir aula ilegalmente na turma da Lara. - falou Clarissa. - Mas agora que estamos sós, podemos conversar tranquilamente sobre o seu poder.
Daniel revirou os olhos, ele não suportava tocar naquele assunto,mas não queria ter que mandar Clarissa parar de falar, no entanto, ele não entendia muito mais sobre seu poder do que ela, e dificilmente acreditava que falar sobre ele o faria voltar.
— O que mais você quer saber sobre o meu poder? - falou Daniel voltando a copiar a matéria.
— Alguém mais sabe sobre ele? - perguntou Clarissa.
Daniel ficou em silêncio por alguns segundos, pensando na resposta. Ele nunca havia contado para ninguém sobre seu poder, sempre fora uma pessoa bastante reservada quanto aos seus segredos,e Clarissa somente sabia a verdade porque ele a havia ressuscitado, no entanto, uma garota mais velha que ele, anos atrás havia visto ele usando seus poderes, mas duvidava muito que hoje ela ainda lembrasse desse dia, de qualquer forma, ele nem sabia quem essa garota era, e hoje em dia ela deveria ser uma adulta.
— Não,só você. - respondeu ele.
— Hum... - falou Clarissa. - Se você reparar bem, ontem foi um dia bastante estranho. Houve um eclipse solar, seus poderes desapareceram e ainda houve um terremoto. Muito estranho,não?
— É. - concordou Daniel. - Eu espero que ninguém que a gente conheça tenha se ferido.
***
— Por que você veio? - resmungou Carlos para Fábio enquanto descia as escadas.
— Porque você tem um jeito de sair da escola e eu preciso saber como. - falou Fábio. - Achou que eu ia perder essa oportunidade de escapar da escola?
Carlos descia lentamente para que nenhum inspetor,coordenador ou professor o visse,pois caso alguém o avistasse,o plano estaria acabado, e Fábio ali com ele atrapalhava tudo.
— Você precisa voltar pra sala,Fábio. - resmungou Carlos.
— Por que? - perguntou Fábio.
— Porque...o lugar por onde eu vou sair só pode sair uma pessoa. - falou Carlos, que já estava no térreo. Ele virou-se e encarou Fábio, que ainda descia as escadas.
— Corta essa, Carlos. Isso não existe. Eu vou pelo mesmo lugar que tu e pronto. Falando nisso...onde é esse lugar?
Carlos fechou os olhos, impaciente, pensando em como poderia fazer para Fábio deixá-lo ir embora só.
— Ok, você vem comigo. Mas primeiro eu vou ao banheiro,ok? - falou Carlos, e sem esperar resposta, seguiu para o banheiro, onde ficaria só.
Carlos entrou no banheiro e foi direto para a última fileira de boxes, que fediam fortemente a urina.
Entrou em uma das cabines e pressionou sua mão contra a parede, ignorando o fato de que aquela parede deveria estar imunda.
Instantaneamente a parede começou a tornar-se levemente azulada, a partir do ponto onde sua mão tocava, e emitia alguns ruídos, a parede estava sendo congelada.
Depois que uma parte, que Carlos julgou ser suficiente para ele poder passar, foi congelada, ele afastou sua mão e deu um chute na parte congelada da parede, que desfez-se em estilhaços e mostrou uma nova passagem, ali no banheiro.
Adiantou-se para poder ver o terreno baldio, que era para onde aquela nova passagem dava acesso, mas paralisou-se ao ouvir uma voz atrás de si.
— Carlos...? - falou Fábio. - Como você fez isso?
Carlos virou-se instantaneamente, assustado. Ele havia esquecido a porta de seu box aberto.
— Fábio, sai daqui agora! - sibilou Carlos. - Você não viu nada, Fábio, nada!
E sem esperar resposta, Carlos atravessou a pequena passagem e saiu correndo para o terreno baldio.
***
— Então agora todos nós temos habilidades,é isso? - falou Ana Paula. - Isso não faz nenhum sentido.
— Nenhum mesmo. - falou Patrick.
— Gente, calma. - pediu Greice. - Patrick, como você tem certeza que foi você quem causou o terremoto?
— Começou ontem...eu tive uma discussão com a minha amiga Gaby e acabei me descontrolando, e quando eu vi o chão começou a tremer. - explicou Patrick.
— Mas como você tem certeza?Pode ter sido coincidência... - falou Greice.
Patrick olhou-a por um instante e então agachou-se, ele encostou suas mãos no chão e então toda a poeira que estava ao redor começou a ser sugada para as palmas de suas mãos e formar uma pequena espiral de terra nelas.
— Coincidência eu também ser capaz de fazer isso aqui? - falou ele. Greice e Ana Paula ficaram boquiabertas. - Eu pesquisei na internet, isso se chama Geocinese, que é o controle da terra. Algum personagem do x-men possui esse poder.
— Ótimo. - falou Ana Paula, em tom sarcástico.- É isso que somos agora, personagens do X-men.
— Calma. - falou Greice. - Tudo vai se resolver se nós ficarmos calmos. O que precisamos agora é encontrar o Pedro.
— Por que? - perguntou Patrick.
— Ele também tem uma habilidade. - falou Ana Paula, para impedir que Greice falasse mais do que devia, ninguém além delas ainda devia saber que Pedro havia se tornado um assassino. - Ele pode controlar a água,ou coisa assim.
— Nossa. - falou Patrick, que ficou meio surpreso por alguns segundos, mas logo voltou-se para Greice. - Mas como nós vamos encontrá-lo? E por que temos que encontrá-lo?
— Precisamos primeiro nos unir antes de pensarmos no que vamos fazer quanto a esses poderes. Pensaremos melhor se estivermos juntos. E eu acho que sei como encontrar o Pedro. - falou Greice. - Eu preciso voltar para a sala para pegar uma coisa, fiquem aqui,ok?
— Certo. - concordaram os dois.
Greice já tinha sumido da visão dos dois, quando ouviram alguns passos atrás deles.
Eram Jéssica e Marina.

Jéssica Souza.

Marina Araújo.
As duas estavam olhando para eles dois, ambas com um olhar estranho no rosto.
— Aconteceu alguma coisa,gente? - perguntou Patrick para as duas.
Jéssica deu um passo a frente e levantou sua mão na frente deles.
— Desculpa,gente. Regras são regras.
Ana Paula e Patrick nem tiveram tempo de reagir, pois em seguida um raio elétrico saiu da mão de Jéssica e atingiu-os em cheio, fazendo-os desabar no chão desmaiados.
Marina correu para perto deles e virou-os de bruço. Precisava ser rápida, embora não tivesse que se preocupar caso alguém visse eles desmaiados. Ela era uma telepata e podia facilmente implantar ou mudar o pensamento de alguém que visse aquela situação.
Foi por causa de sua habilidade telepática que conseguira ler a mente de Patrick e Ana Paula, e agora ela e Jéssica deveriam levá-los para a Companhia.
— E a Greice?Deixamos ela livre? - perguntou Jéssica, que já estava ligando para mandar alguém da companhia mandar buscar os dois.
— Sim. - falou Marina prendendo algemas em Patrick e Ana Paula. - Ela é missão de outra pessoa, a gente não tem que se meter.
— Ah,tá. - falou Jéssica.
Eles facilmente poderia sair da escola graças ao poder de Marina,porque ninguém iria vê-las. O plano saíra perfeito, e mesmo contra seus próprios conceitos, as ordens da Companhia eram claras, sempre que se descobrisse a existência de alguém com habilidades, esta pessoa deveria ser imediatamente levada para a Companhia. Não importa o seu grau de amizade com essa pessoa.
***
Iami estava no banheiro do Colégio Universo penteando seu cabelos,aquele dia estava sendo estranho, ela tinha reparado que na rua haviam várias pessoas estranhas, principalmente no modo de se vestir. Provavelmente por causa daquele terremoto que todos estavam comentando.

Iami Borges.
Ela estava guardando seu pente em sua bolsa quando ouviu um barulho vir de um dos boxes do banheiro.
Ela olhou ao redor, e não viu ninguém, e pelo que sabia, ela estava sozinha ali.
Ela estava pronta para sair correndo do banheiro quando ouviu um leve sussurro.
— Iami... - disse uma voz atrás de um box.
Iami lentamente caminhou até esse box, mesmo que sua mente ordenasse que ela fugisse dali instantaneamente.
Ela parou a um passo da porta e então deu um leve empurrão, e enxergou o que havia dentro do box.
Prendeu respiração para não vomitar. Ela nunca havia visto algo tão assustador em toda a sua vida.
Era uma pessoa, de coloração cinzenta, jogada em cima da tampa do vaso sanitário. Ela poderia dizer que a pessoa estava morta se não tivesse ouvido ela sussurrar seu nome segundos antes.
A pessoa estava com os olhos fundos e com olheiras bastante pesadas...
e então ela reconheceu aquela pessoa, e finalmente conseguiu dizer algo.
— Oh,meu Deus, Renan?!
Ele virou seu olhar para ela e disse, como se lhe faltasse ar.
— Eu...preciso...da sua...ajuda...
****
Acho que esse foi o melhor capitulo de todos!
Mas o próximo também promete ;D
bjs
Espero que tenham gostado!Comentem,ok?!u___u
Mandem pros amigos e talz :D
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