Level 2.
Com a falta de luz da Livraria, todas as celas do andar de prisioneiros abriram-se, fazendo assim com que todos os prisioneiros da Companhia estivessem livres.
No entanto, a porta de acesso ao andar superior havia sido trancada, ou seja, eles estavam fora de suas celas, mas presos na Companhia.
— Eu posso congelar aquela porta e quebrá-la. – falou Carlos para Lara. Os dois ainda permaneciam dentro das celas. – Desse jeito podemos escapar. Só temos que avisar para eles.
— Não, Carlos. – falou Lara, que estava evitando expor-se. – Tem idéia de quantos desses prisioneiros fui eu que ajudei a prender? Ou do quanto eles são perigosos? Não podemos simplesmente deixá-los fugir. A Companhia existe por um motivo e esse motivo é prender as pessoas perigosas, as realmente perigosas. Não podemos deixar que eles escapem.
— Então o que vamos fazer? – perguntou Carlos. – Ficar presos aqui só pra não deixarmos livres? Essa Companhia não está exatamente ao nosso favor.
— Não. – falou Lara analisando o corredor escuro. - Vamos usar nossos poderes ao nosso favor.
— Como? Matando eles queimados?
— Não. – falou Lara seguindo para o corredor onde todos os prisioneiros estavam. – Acenda fogo pra chamar a atenção de todos eles.
Carlos projetou fogo nas duas mãos e todos os prisioneiros da Companhia gritaram coisas que eles não conseguiram entender.
— TODOS, SILÊNCIO. – berrou Lara. E todos calaram-se. – Agora todos vocês, de volta pra suas celas e fiquem lá até segunda ordem. AGORA.
Todos, hipnotizados, moveram-se para as celas que antes ocupavam e então o corredor ficou vazio.
— Simples. – falou Lara. – Agora precisamos fugir daqui, urgentemente.
— Não tão rápido, Lara. – falou uma voz vindo por trás do corredor. – Lembra de mim, certo?
Lara ofegou ao reconhecer o garoto que vinha caminhando. Ele não estava sozinho.
— Bruno Toshiro? – falou ela. Ela forçou seus olhos para enxergar o outro e viu : - Tales Mousinho?
Bruno Toshiro.
Tales Mousinho.
— Certo. – falou Bruno estalando os dedos para Tales.
No instante seguinte Lara e Carlos estavam envoltos, cada um, em um campo de força.
— Então, - falou ele se aproximando do campo de força de Lara. – Eu poderia e deveria matá-la, mas tenho uma proposta melhor para fazer. Que ajudará nós quatro.
— O que vocês querem? – perguntou Lara dando socos contra o campo de força, inutilmente.
— Simples. Ajudem-nos a sair da Companhia e vocês permanecem vivos. – falou Bruno indo analisar a porta que dava acesso às escadas.
— Quem é ele, Lara? – perguntou Carlos.
— Ele se chama Bruno e o outro se chama Tales. Fui eu que capturei Bruno, dois meses atrás. – falou Lara. – E esse é o motivo pelo qual ele me odeia.
— E por que seu poder não funcionou com ele? – perguntou Carlos. – Você mandou todos voltarem para suas celas...
— O campo de força de Tales deve ter protegido eles dois. – falou Lara para Carlos, e então virou-se para Bruno. – OK, nós te ajudamos, mas como vou ter certeza que você não vai nos trair?
— Esse é o caso – falou Bruno estalando os dedos para Tales – você não está em posição de exigir nada, somente vai ter que confiar em nós. Então agora digam como saímos daqui dessa Companhia?
***
Com três socos Ana Paula destruiu a porta de aço e saiu junto com Daniel para o corredor escuro da Companhia, ao longe ela podia ouvir alguns ruídos e gritos.
— Acho que devemos subir. – falou Ana Paula indicando a escada escura. Pela ausência de janelas ela podia supor que estavam no subsolo de algum lugar.
Ao chegar no andar de cima, ainda pôde perceber que não estava no térreo, principalmente ao ver Jéssica, Gaby e Patrick descendo uma escada em sua direção.
— Paulinha! – gritou Patrick correndo na direção dela. – Como... como?
— Daniel? – falou Jéssica. – Você a reviveu?
Patrick olhou para eles, confuso. Mas então balançou a cabeça.
— Bem, se a Ana Paula está viva, nós temos que sair daqui. – falou Patrick olhando para os lados, na escuridão. – Depois nos preocupamos com essa Companhia.
— Não! – falou Gaby. – Não consegue ver?Nossas vidas nunca serão normais enquanto a Companhia estiver por aí, Patrick! Ela tem que ser parada! E já que estamos todos aqui, vamos finalizar o trabalho.
Nesse instante dois corpos voaram escada acima e caíram com um baque no chão. Eram Carlos e Lara.
Subindo a escada vinha Bruno e logo atrás, Tales.
— Carlos? – perguntou Daniel. – Lara?
— Bruno escapou. – falou Lara para Jéssica, enquanto se levantava. – Precisamos cair fora daqui agora!
— Eu posso tirar vocês daqui. – falou Gaby prestes a fazer um portal, mas Bruno mexeu sua mão e Gaby foi arremessada contra a parede.
— Ele possui telecinese! – alertou Jéssica preparando um raio na direção de Bruno, inutilmente, pois Tales fez um escudo que os protegeu.
— Vocês se lembram do quanto eu fiquei desesperado quando vocês duas me prenderam? – falou Bruno apontando para Lara e Jéssica. – Vocês nem se importaram, eu supliquei para que vocês me deixassem ir, mas nem ligaram.
— Nós tínhamos recebido ordens. – falou Lara que já havia se levantado. – Não se pode ir contra as ordens da Companhia.
— E aqui está você presa por tentar salvar seu amigo. – falou Bruno fechando a boca dela com um movimento. – E é exatamente por isso que vou matar vocês duas. – e então olhou para Patrick, Daniel, Ana Paula, Gaby e Carlos e deu um sorriso. – E todos os seus amigos também.
— Deixe-as em paz! – falou Ana Paula se movimentando para frente, mas no instante seguinte estava presa num campo de força projetado por Tales. Ela começou a socar o campo de força, que começou a rachar.
— Eu acho que vou ter que começar por essa garota revoltada. – falou Bruno movendo seu dedo na direção de Ana Paula e elevando-a no ar.
— Você não vai fazer isso! – gritou Patrick.
Um tremor começou no prédio e uma fenda se abriu no chão indo até onde Bruno estava. Ele correu e protegeu-se no campo de força que Tales projetou, onde a fenda não alcançava. No entanto, Patrick continuava fazendo o terremoto, fazendo o prédio tremer e paredes e prateleiras caírem.
— Patrick! – berrou Greice e Marina, que haviam aparecido no saguão. – Pare com isso!
Mas ele não conseguia ouvi-la.
— Você tem que fazer isso, Greice. – falou Marina indicando Patrick. – É o único jeito.
Greice correu na direção de Patrick – o que era bem complicado devido ao terremoto - e sacudiu-o, na tentativa de fazê-lo parar, mas ele não parava o terremoto, era como se estivesse em transe. Se ele continuasse assim, em cinco minutos o prédio iria ser demolido..
Sem outra alternativa, Greice puxou do bolso uma das duas seringas que ela mesma do futuro havia lhe dado. Duas para o caso de ela falhar na primeira tentativa. Era uma seringa com “a cura” que retirava os poderes das pessoas. Greice do futuro havia dito que essa era a forma que ela poderia impedir Patrick de causar estragos em qualquer outro futuro.
Sem hesitar, ela injetou a seringa na coxa dele. O terremoto parou instantaneamente.
***
Lado de fora da Livraria Somensi.
— Isso é uma loucura. – falou Pedro olhando para a frente da livraria que estava destruída. – Tem certeza que nossos amigos estão aí dentro?
— Sim. – falou Fábio. – E com esse terremoto, temos que ter certeza que eles não estejam feridos.
— E se isso estiver sendo causado por um de nós? – perguntou Leilane. – Quando digo “nós”, me refiro a pessoas com poderes. É o segundo terremoto em menos de dois dias! Nós não temos terremotos aqui... – Leilane parou a frase ao ver Alana em frente à multidão que olhava para a frente da livraria destruída. – Alana?
Alana virou-se e encarou assustada Leilane, Pedro e Fábio.
— O que vocês estão fazendo aqui? – perguntou ela.
Leilane e Alana estudavam na mesma sala no colégio Ideal.
— A pergunta é o que você está fazendo aqui. – falou Leilane. – Você tinha me dito que iria estudar hoje...
— Eu estava... comprando livros. – mentiu ela. – E vocês três?
— Nós, ahn, alguns amigos nossos estão presos aí dentro e estamos preocupados.- falou Leilane tentando não mentir.
Alana olhou-a desconfiada e então segurou na mão de Leilane. Dois segundos depois soltou.
— Eu sei como entrar no prédio, tem uma outra entrada. – falou Alana arrastando Leilane e acenando para Pedro e Fábio. – Seus amigos estão em perigo, sério.
***
— O que você fez? – perguntou Patrick ao olhar a seringa e para Greice.
— Me desculpe. – falou Greice se afastando.
Mas antes que qualquer outra coisa pudesse ser dita, Greice, Daniel, Patrick e Marina foram jogados contra a parede e caíram no chão,no instante seguinte estavam presos num campo de força projetado por Tales.
— Agora que o terremoto finalmente terminou, - disse Bruno – posso voltar à minha vingança contra vocês.
— Deixe-os em paz, Bruno! – gritou Lara. – Eles não tem nada a ver com seu desejo de vingança!
— Nem eu tinha nada a ver com o desejo da sua companhia de nos prender. – falou Bruno erguendo Lara no ar. – Já pensou em como deve ser morrer sufocada?
— Não! – gritou Carlos, mas Tales envolveu-o num campo de força.
Ana também foi envolvida num campo de força, mas como anteriormente, começou a socá-lo e ele começou a quebrar.
Enquanto isso Lara continuava erguida no ar, sendo sufocada por Bruno.
Carlos congelou o campo de força e o quebrou também. Ele pulou na direção de Bruno, mas ele o arremessou contra a parede.
— Ana Paula! Carlos! – falou Leilane ao entrar no subsolo junto com Pedro e Fábio.
— Ataquem ele! – berrou Carlos para os três.
Lara ainda continuava se debatendo no ar.
Fábio correu na direção de Bruno e o empurrou contra o chão – assim, Lara conseguiu cair no chão - mas no instante seguinte ele o jogou contra a parede e Tales prendeu-o num campo de força.
— Sabe o que fazer? – perguntou Lara para Jéssica.
— Atacar o Tales. – falou Jéssica. – Uma vez que ele esteja derrotado, Bruno é fácil de se lidar.
— Certo. – falou Jéssica. – Mas como?
— Eu tenho uma idéia. – falou Pedro aproximando-se das duas e logo em seguida se afastando.
Ele jogou a mão para cima e no instante seguinte o andar todo estava inundado de água que havia rojado de sua mão, atingindo principalmente Bruno e Tales.
— Carlos! – falou Doso indicando para que ele congelasse Bruno e Tales.
— Não! – interrompeu Jéssica. – Se fizer isso, todos aqui vão morrer! – ela olhou para eles, até para Bruno que olhava-os surpreso. – Desculpem por isso.
E ela soltou um raio no chão que eletrocutou todos ali. Todos desmaiaram.
***
— Olha o estrago que vocês todos fizeram. – falou Gabriel ao olhar para o prédio semi-destruído e para os – Vocês todos vão pagar muito caro por isso.
Ele se aproximou de Patrick e chutou seu rosto.
— Você principalmente. - falou ele se aproximando para machucá-lo ainda mais.
— Deixe-o em paz. – falou Ana Paula, que estava em pé, alguns centímetros atrás dele.
— Uou. – falou Crowd, se afastando. – Com você está acordada? Ah, sim, seu poder a protegeu. Mas nem pense em fazer algo contra mim, seu poder está desativado, graças ao meu.
— Eu sei. – falou Ana Paula. – E mesmo você tendo me matado, eu não tenho planos de vingança.
— Oh, isso é bom. Porque você sabe que não há nada que vocês possam fazer. – falou Crowd.
— Na verdade, tem. – falou Ana. – E você sabe disso. Nós quase destruímos essa sua Companhia hoje, mesmo sem ter planejado nada, imagine se trabalharmos juntos para isso. Então só o que eu quero é que você nos deixe em paz. Pode continuar caçando quem quiser, mas deixe eu e meus amigos em paz.
— Bem, Ana, acho que você vai chegar a conclusão de que isso não é possível. Eu respondo a superiores e... bem, não é de meu agrado deixar pessoas perigosas como vocês ...livres por aí. Eu não aceito isso, imagine eles.
Ele sorriu e então Ana o encarou.
— Então dê uma mensagem aos seus superiores. – falou ela puxando a seringa que havia retirado do bolso de Greice e injetando no braço de Crowd no mesmo instante. – Diga a eles que nós estamos esperando por eles, então.
Crowd berrou ao ver a injeção em seu braço, mas no instante seguinte Ana estava arrastando-o para as celas e enfiando-o em uma.
— Espero que apodreça aí. – falou ela trancando a cela.
— Você vai se arrepender disso, Ana Paula! – gritou ele socando o vidro. – Eu prometo.
Ela somente sorriu e se retirou.
Fim da Primeira Temporada.
***
Segunda Temporada.
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Dois meses depois.
Ana Paula abriu a porta de casa, cansada de mais um dia de aula.
— Tem alguém em casa? – perguntou ela, mas ninguém respondeu.
Ela caminhou pela sala que já estava normal, com acesso a uma sacada de verdade. O telefone tocou e ela atendeu.
— Alô? – ela falou, mas ninguém respondeu de volta. – Alô?
Ela desligou o telefone e foi até a mesa da sala onde estavam as correspondências e viu que havia uma com seu nome, ela estranhou, pois nunca recebia cartas e enquanto a abria, seguiu para seu quarto.
Ela sabia que tinha algo de errado desde o inicio do corredor, pois podia ver sua cama bagunçada e a porta de seu quarto aberta.
Quando entrou em seu quarto, Ana gritou e deixou cair a carta no chão, horrorizada com a cena que encontrou.
Crowd estava com os braços abertos, jogado no chão,a boca aberta, e uma marca de um tiro bem no meio da testa. Havia sangue pelo chão todo. Ele estava morto.
“É só o começo.“ era o que dizia na carta.
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