quarta-feira, 22 de abril de 2009

Capítulo 6 - Habilidades.

O terremoto não durou mais que alguns segundos, mas a sacada do apartamento de Ana Paula havia se soltado e rachado, metade dela chocou-se com a sacada do andar debaixo,que parecia prestes a desabar também, e a outra metade despedaçou-se no chão.

—Ana Paula! - gritou Pedro quando finalmente conseguiu se levantar. Correu para a sacada destruída e olhou para baixo procurando pela amiga. - ANA PAULA?!

Mas ela não respondia..o que só podia significar duas coisas: ou ela estava desmaiada nos destroços, ou... - seu coração acelerou ao pensar nisso - ela havia caído para o térreo e estava, no mínimo, MUITO ferida..

Talvez até...morta.

Mas ele não queria pensar nisso, era inconcebível aceitar a morte de dois de seus melhores amigos no mesmo dia.

Ele correu para fora do apartamento, foi para as escadas e desceu para o décimo andar. Nem precisou explicar para a moradora do apartamento porque precisava entrar na residência dela (a que havia sido atingida com a sacada de Ana), todos os moradores do prédio estavam descendo desesperados pelas escadas, com medo do terremoto recomeçar.

— Ana? - gritou Pedro entrando no apartamento. Os destroços da sacada de AP estavam naquela sacada, mas ela não estava lá.

Pedro se aproximou da sacada e, talvez felizmente, constatou que não havia sangue ali. Então correu para fora da casa em direção as escadas, unindo-se aos moradores que também desciam desesperados.

Assim, ao chegar no térreo, Pedro correu para a multidão que rodeava a sacada destruída, mas que ele não conseguia enxergar. Todos estavam provavelmente ao redor dos destroços da sacada, mas ele não conseguia enxergar nada lá.

— Pedro! - gritou uma voz meio distante, ele virou-se e procurou-a por alguns instantes, e ao vê-la correu em sua direção.

Ela estava afastada da multidão e não tinha nenhum arranhão aparente.

— Ana! Como você...?!
— Shh... - interrompeu ela arrastando Pedro para próximo dos elevadores, onde ninguém os ouviria. - Eu não sei como eu sobrevivi a essa queda!
— Como você caiu de 11 andares e não está morta?!
— Eu não sei! - repetiu Ana - Eu só caí e vi que não estava machucada... - um dos moradores apontou para ela e estavam indo em sua direção - Ninguém me viu cair, eu acho.
— Mas Ana...como?
— Pedro, você precisa ir embora. - falou ela ao ver que havia policiais no local. - Conte para sua mãe sobre o que aconteceu com o Renan e vocês decidem o que vão fazer depois. Acho que tenho uma bagunça para arrumar aqui.

Um dos policiais estava se aproximando, e Ana voltou-se para ele assim que ele perguntou:

— Foi a sacada do seu apartamento que caiu? - perguntou ele.

— Aham... confirmou. Ela se virou para se despedir de Pedro, mas ela já não estava mais lá. Havia partido.

***

Greice pousou o telefone em sua base, desistira de tentar falar com ela; após falar com Ana Paula pelo telefone e a ligação cair, provavelmente por causa do terremoto que também afetara a casa dela, não conseguia mais completar a ligação. E isso a deixava preocupada.

Estaria Ana Paula ferida...?Ou...morta?Greice tentava não pensar nisso, pois sabia que TODAS as suas visões haviam se tornado realidade, mas rezava para que esta fugisse à regra.

Mas ela estava muito nervosa e sentia-se inútil ali, sem poder fazer nada.

— Mãe?- chamou Greice descendo as escadas, mas ninguém respondeu.

Ela estava sozinha em casa..isso lhe dava a oportunidade de ser útil.

— Pai? - chamou ela só para se certificar que estava mesmo sozinha.

E então pousou sua filmadora em cima da mesa e começou a beber.

***

No outro dia TODOS em Belém comentavam sobre o terremoto, mas ninguém sabia explicar a razão dele ter acontecido, nem mesmo os jornais.

Ana Paula tentou ligar para Greice, na noite passada, para avisá-la que ainda estava viva e que iria dormir em um hotel por alguns dias, mas a amiga não atendeu ao telefone. Então, ao chegar na sala de aula, procurou por ela, mas não a encontrou. Só havia um grupo conversando sobre o terremoto, mas um nome chamou a atenção dela.

— A mãe do Renan me ligou ontem 11 horas da noite! - falou Tácilla para o grupo - Ele ainda não tinha voltado para casa...será que ficou preso em algum lugar por causa do terremoto?

Os outros murmuraram alguma coisa, mas Ana não estava mais concentrada..porque ela sabia que a verdade era que Renan estava morto, mas não podia falar... isso a fazia tão culpada quanto Pedro?

— Ana! - gritou Greice ao entrar na sala e avistá-la - Que bom que você está...viva! - elas se abraçaram por alguns instantes e então Greice perguntou: - Aconteceu alguma coisa ontem?

Ana a lançou um olhar significativo e as duas levantaram-se para sair da sala, onde ninguém as escutaria.

— Eu tenho uma habilidade. - falou Ana quando finalmente pararam de andar, em um corredor vazio. - Assim como você.

— Uma habilidade?Qual?Como?

— Ontem, durante o terremoto, eu caí na sacada e ela se soltou do apartamento. Eu caí 11 andares e não tenho UM arranhão. Eu não senti ... nada! Sequer uma dorzinha...

Greice tentou dizer alguma coisa, mas não conseguia falar.

— Olhe isso. - continuou Ana, puxando um pequeno canivete e enfiando em seu braço, porém a lamina se rachou ao encostar em seu braço. - Minha pele é indestrutível. Passei a noite toda tentando me machucar com faca, fogo...tudo!E não senti dor, nem me arranhei! - Greice continuava olhando-a, confusa. - E não é só isso... - ela pegou o canivete e apertou-o levemente,e ao abrir a mão, ele estava completamente torto. - Acho que foi por isso que só a minha sacada caiu... eu tenho uma força descomunal.

— Mas como?Por que? - perguntou Greice quando finalmente conseguiu falar.

— Eu não sei! Mas tem algo acontecendo comigo, com todos nós! Você, eu, o Pedro...

— Pedro tem uma habilidade? - perguntou Greice surpresa.

— Sim. - confirmou Ana. - Ele pode manipular a água, coisa assim...

— Mas...nossa, por que...nós?

— Vocês não são as únicas. - falou uma voz que vinha do corredor atrás delas e que fez as duas virarem assustadas.

— Patrick! - exclamaram as duas assustadas e com medo de ele ter escutado demais.

— Eu tenho um poder também. - falou ele.

— O quê?! - exclamaram as duas, incrédulas.

— Shhh... - Patrick aproximou-se das duas para falar mais fraco. - Sabem o terremoto de ontem? Fui eu quem o causou...

***

Lara entrou no colégio Ideal verificando a hora em seu relógio verde para certificar-se que estava cinco minutos adiantada, como usualmente. Estava no primeiro degrau quando ouviu uma voz chamando-a.

— Lara! - chamou Carlos, que era seu amigo. Ela sorriu e voltou-se para ele. - Estava te esperando há um tempão!

— Oi, Carlos. - falou Lara abraçando-o. - Tudo bem?

— Não. - respondeu ele puxando-a delicadamente para uma parte mais reservada. - Tem algo acontecendo comigo.

— O que foi...? - perguntou Lara quando eles finalmente pararam de andar até um local onde ninguém poderia vê-los. Foi aí que notou que ele segurava um copo descartável cheio de água nas mãos. - Carlos?

Ele olhou para os lados para verificar se ninguém os observava.

— Começou ontem... - falou Carlos mostrando o copo, que em um segundo não mostrava mais água, e sim gelo. - Não sei porquê!

Lara abriu a boca para falar algo, mas ele a interrompeu:

— E não é só isso. - ele olhou novamente para os lados. Ele estendeu a mão esquerda e dela brotou uma pequena chama. - Eu consigo produzir fogo e gelo! Lara, isso é maravilhoso, mas... o que diabos está acontecendo comigo?!

— Você contou isso para mais alguém? - perguntou Lara.

— Não, para mais ninguém... por que? - respondeu ele, confuso.

— Carlos, preste atenção. - ela apertou o braço dele com um pouco mais de força que o usual. - Você não pode contar isso para ninguém,ok? Ninguém deve saber, senão você estará em perigo, pessoas irão atrás de você e...

— Por que? - perguntou ele assustado - Como você sabe disso?

A campainha ressoou pela escola, indicando que os alunos deveriam voltar para suas salas.

— Eu te explico depois, é uma longa história, mas você precisa confiar em mim e deixar isso somente entre nós...certo?

Carlos concordou com a cabeça e ela subiu correndo para sua sala. Aquele dia ia ser atarefado, ela sabia isso,o que a consolava era que em poucas horas seus dois alvos estariam neutralizados e a missão cumprida. Mas aquilo que Carlos mostrara, deixara ela intrigada e em dúvida quanto ao que fazer...

Quanto tempo levaria para seus chefes descobrirem que ela estava encobrindo um deles?











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Não tenho muitos comentários, no próximo capítulo aprofundaremos na história de Daniel, Clarissa, Leilane, Greice, Ana Paula e Patrick. Ah, e a aparição de Iami :B

Os outros personagens terão mais destaque no capítulo 8. Alguns correm até o risco de só voltarem para a história para se despedirem.


Whatever, desculpa a demora e espero estar aqui em breve ^^

C-ya!

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